domingo, 15 de novembro de 2009

Uniban Revolutions


Legenda: estudante da Uniban pegando uma praia.

Impressionante a repercussão do "caso Geisy (é assim que se escreve?)", ocorrido na Uniban. Um grupo de alunos tirou uma onda com uma aluna com um vestidinho curto (uma aluna feia, diga-se, só é bonita no Casseta e Planeta). Essa "onda" deu polícia, causou o maior problema no local e foi para no youtube. Daí, como não tinha caído nenhum avião, nenhum escândalo recente estourado na política, nenhuma separação de artistas, nenhuma novela no último capítulo, ou seja: falta de informação para a nossa louvável imprensa, o assunto tomou todos os meios de comunicação em massa, com direito a opiniões de especialistas e 28 entrevistas da estudante *estudante? sou um brincalhão, sei disso* de "nem-sei-qual-curso" (isso ficou em segundo plano).
Extremamente relevante o assunto: uma moça *brinquei de novo* que é "hostilizada" por usar um vestido curto, toma conta de todos os jornais impressos e expressos do Brasil!
Incrível a seriedade da imprensa brasileira ao retratar o caso e do próprio pessoal da univesidade, que tomou a sábia decisão de expulsar a aluna. A emenda pior do que o soneto, como diria o poeta.
Mas o que impressiona é a reação dos aluno da universidade em achar absurda a vestimenta da futura coelhinha da playboy. Ora, este que vos escreve passou pela universidade (passei, passei) e já viu coisas piores (dependendo do ponto de vista, escrevo pior aqui em sentido de mais contundente). Consumo de drogas, sexo no campus, roupas muito mais "provocantes", entre tantas outras coisas, que são normais ou comuns num campus universitário. Não tenho nenhuma dúvida de que na Uniban seja a mesma coisa.
A universidade, embora tenha pessoas de todos os tipos e idade, é basicamente um reduto de jovens, pessoas de vanguarda, berço de revolucionários. O que mais intriga nesse episódio não é a posição da mídia oportunista, ou da própria Geisy, que aproveitou seus minutos de fama para se promover e ganhar uns trocado de indenização pelos "danos morais"sofridos e outros tantos trocados pela capa da Revista Sexy (sem falar no look novo). O que mais é estranho é a postura dos alunos da universidade diante da "roupa" de Geisy. Estranho aos ocidentais? Diferente do que vemos na nossa mídia? Mais escandaloso do que a banheira do Gugu, as "pegadinhas picantes" ou mesmo algumas cenas das novelas? A bunda dela é muito diferente da que Carla Perez esfregava todo domingo na nossa tela?
A esculhambação que virou nossa mídia, dominada pelo eixo do mal (leia-se Globo) e seus aprendizes (leia-se Record) aparentemente não chegou à Uniban. Parece que a promiscuidade sexual que tomou conta da TV, internet e literatura brasileira não chegou por lá. Só assim se escandalizar com a roupa da distinça senhorita *brinquei mais uma vez*, que nem é essa coisa toda. Já peguei melhores *brinco muito* e já vi muito melhores na universidade. Se ela for a melhor da Uniban, pra causar esse estardalhaço todo, é melhor fechar a instituição.

Serão tempos modernos? Apocalipse que se aproxima? Ou tão somente um falso moralismo que embaça a visão da verdadeira promiscuidade verificada nas universidades, no senado federal, na Globo, na Record, nas nossas casas e em nós mesmo? Devemos obrigar nossas mulheres a usar burca? Ou tirar as roupas delas em horário nobre na TV? Se for, que seja gostosa. Às vezes a burca é a melhor opção.

Viva a democracia!!